terça-feira, 27 de março de 2012

O cinema em sala de aula

     Os filmes podem funcionar como recursos educativosTrabalhar com filmes em sala de aula para levantar temas de debates a partir das obras é uma maneira interessante de complementar os conteúdos pedagógicos, usada por muitos professores, desde a educação infantil até a graduação. Mas para alcançar bons resultados é necessário planejar essas aulas com antecedência, definir os temas que serão abordados, tornando as aulas realmente produtivas, além de dinâmicas e atrativas para os estudantes.
      Segundo a psicóloga do Colégio Sion, Maria Cristina Montingelli, os filmes são uma ótima opção a ser usada em sala de aula, uma vez que a linguagem audiovisual é a linguagem dessa nova geração, além do que, aliar o quesito prazer ao ato de aprender é muito importante no processo educativo e faz com que o aluno fixe melhor o conhecimento. Contudo alguns cuidados devem ser tomados no momento de escolher as obras.
     Assistir ao filme todo, antes de exibi-lo, é indispensável, pois o professor deve adequar a obra à faixa etária da turma. “Para crianças menores, com idade entre 5 e 10 anos, o ideal é exibir um trecho da obra, apenas para ilustrar o conteúdo, pois nessa idade eles costumam assistir ao mesmo filme diversas vezes e, com certeza, a obra apresentada em sala já foi vista pelos pequenos. Assim, a aula não corre o risco de ser repetitiva, despertando o interesse da criança”, aconselha Maria Cristina. Já para os alunos mais velhos, a partir dos 10 anos, os filmes podem ser exibidos na íntegra, mas devem estar sempre aliados a algum projeto: compreensão do contexto histórico, temática da obra, diálogos interessantes, linguagem, entre outros.
   

Ciclo de Cinema e Educação

     No Instituto Superior de Educação Nossa Senhora de Sion (ISE-SION), os debates promovidos com base em produções cinematográficas ultrapassaram as salas de aula e transformaram-se em um evento: O Clico de Cinema e Educação: interfaces com a literatura e a história. O ciclo é realizado uma vez por mês na sede do ISE e traz sempre um palestrante convidado, que escolhe um filme interessante para levantar temáticas relacionadas à educação.
     Na sexta-feira, dia 30 de março, será realizada a terceira edição do Ciclo de Cinema e Educação. Para este primeiro semestre o tema é “A criança e o cinema” e os filmes terão como enredo situações que envolvam a criança em diferentes processos educativos. E o primeiro ciclo de 2012 contará com a presença da doutora Milena Martins, do departamento de Linguística, Letras Clássicas e Vernáculas da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
     Ela irá debater com os participantes o universo da criança a partir do filme ‘Nascidos em Bordéis’, sob o tema ‘Literatura para quê?’.De acordo com a organizadora do evento, Gisele Thiel, o objetivo é ampliar o conhecimento dos alunos e demais participantes sobre educação, literatura e história, a partir de obras do cinema. “Geralmente o palestrante apresenta o filme e levanta temáticas específicas, relacionadas à educação, para debate.
        O filme entra como um elemento para se discutir educação”, explica a professora e organizadora do ciclo.O evento já acontece há três anos. Em edições anteriores foram apresentados filmes como o argentino Valentin, 2002, de Alejandro Agresti, para debater o lirismo e o imaginário infantil e o brasileiro Verônica, 2009, de Maurício Farias, no qual o eixo central de discussão foi a violência na educação e o real papel dos professores fora do ambiente escolar. Serviço:III Ciclo de Cinema e Educação: interfaces com a literatura e históriaPalestrante: doutora Milena Martins – UFPRFilme: “Nascidos em bordéis” – 2004, Zana BriskiData: 30/03/2012Local: Instituto de Educação Nossa Senhora de Sion, Alameda Presidente Taunay, 260 – BatelInformações: (41) 3016-0818Inscrições: As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no dia do evento.  

domingo, 25 de março de 2012

Estresse infantil Agenda cheia, reprovação dos pais, conflitos na escola. Pesquisas na área de neurociência e comportamento mostram como a exposição a fatores estressantes compromete o desenvolvimento das crianças e o que fazer para evitar danos futuros

Natação, inglês, equitação, tênis, futebol. É cada vez mais comum encontrar crianças que mal saíram da pré-escola e já cumprem agendas de “miniexecutivo”, com compromissos que se estendem ao longo do dia. A intenção dos pais ao submeter os filhos a essas rotinas é torná-los adultos superpreparados para o competitivo mundo moderno. O preço que se paga por tanto esforço, porém, pode ser alto. Ainda pequenas, essas crianças passam a apresentar um problema de gente grande, o estresse. “É uma troca que não vale a pena”, afirma o psicoterapeuta João Figueiró, um dos fundadores do Instituto Zero a Seis, instituição especializada na atenção à primeira infância. “Frequentemente essa rotina impõe à criança um sentimento de incompetência, pois lhe são atribuídas tarefas para as quais ela não está neurologicamente capacitada.” Como uma bomba-relógio prestes a explodir, o estresse infantil tem ganhado status de problema de saúde pública. Nos Estados Unidos, por exemplo, a Academia Americana de Pediatria publicou, em dezembro, novas diretrizes para ajudar os médicos a identificar e tratar esse mal. O risco dessa exposição, alertam os cientistas, são danos que vão bem além da infância, como a propensão a doenças coronarianas, diabetes, uso de drogas e depressão.

Dos poucos estudos brasileiros sobre estresse infantil, se destaca um levantamento realizado pela pesquisadora Ana Maria Rossi, presidente da International Stress Management Association no Brasil (Isma-BR). A pesquisa, feita com 220 crianças entre 7 e 12 anos nas cidades de Porto Alegre e São Paulo, revelou que oito a cada dez casos em que os pais buscam ajuda profissional para seus filhos por causa de alterações de comportamento têm sua origem no estresse. “O estresse é uma reação natural do nosso corpo, o problema é esse estímulo atingir níveis muitos altos ou se prolongar por longos períodos”, diz Ana Maria.

Para ajudar pais e profissionais de saúde a identificar quando há risco, cientistas do Centro de Desenvolvimento da Criança da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, propuseram uma divisão: o estresse positivo, aquele em que há pouca elevação dos hormônios e por pouco tempo; o tolerável, caracterizado pela reação temporária e que pode ser contornada quando a criança recebe ajuda; e o tóxico, o que deve ser combatido, ligado à estimulação prolongada do organismo, sem que a criança tenha alguém que a ajude a lidar com a situação. “A origem pode estar em episódios corriqueiros que gerem frustração ou aflição frequentemente, como brigas na escola ou com familiares, ou em situações únicas, mas com impacto muito grande, como a morte inesperada de alguém próximo, abuso sexual ou acidente”, esclarece Christian Kristensen, coordenador do programa de pós-graduação em psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Quando exposto a quantidades muito grandes dos hormônios do estresse, o organismo sofre uma espécie de intoxicação. Cai a imunidade, deixando a pessoa mais exposta a infecções, há uma interferência nos hormônios do crescimento e até mesmo o amadurecimento de partes essenciais do cérebro, como o córtex pré-frontal, é afetado. “Essa região é responsável pelo controle das funções cognitivas, como a capacidade de moderar a impulsividade e a tomada de decisões”, explica o neurocientista Antônio Pereira, do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
Mas o que tem tirado as crianças do eixo tão prematuramente? No estudo realizado pelo Isma-BR, em primeiro lugar aparecem a crítica e a desaprovação dos pais, seguidas pelo excesso de atividades, o bullying e os conflitos familiares. Esse último fator mereceu atenção especial em uma pesquisa realizada na Universidade de Rochester, nos Estados Unidos. E o resultado comprovou uma suspeita antiga. “Em nosso estudo demonstramos que o ambiente estressante está associado à ocorrência mais frequente de doenças nas crianças”, disse à ISTOÉ a pediatra Mary Caserta, coordenadora do trabalho, que envolveu 169 crianças entre 5 e 10 anos. Muitas vezes, os pais nem desconfiam que a enfermidade do filho pode ter raízes no estresse. “Passa tão batido que às vezes a criança é medicada de modo errado”, diz Marilda Lipp, diretora do Centro Psicológico de Controle do Stress e professora da PUC-Campinas. Encontrar reações físicas intensas, mas sem nenhuma doença de fundo não é mais novidade para os médicos. “Cefaleias e dores abdominais causadas por estresse são as queixas mais comuns”, diz Ricardo Halpern, presidente do departamento de comportamento e desenvolvimento da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Outro perfil que se tornou comum nos consultórios é o da criança estressada pela superproteção dos pais. São os “reizinhos mandões”, como apelidou a psicopedagoga Edith Rubinstein. “Esses meninos e meninas têm muita voz dentro de casa e dificuldade de lidar com o esforço”, diz a especialista. Não deixar a criança aprender a contornar situações difíceis é extremamente prejudicial. Isso porque uma característica importante para evitar os quadros de estresse tóxico é justamente a resiliência – a capacidade de a pessoa se adaptar e sair de situações adversas. “Quando a criança é sempre tirada pelos pais do apuro, ela não desenvolve essa habilidade e se torna mais suscetível ao estresse”, diz a psicanalista infantil Ana Olmos.

Com a evolução científica, o que se tem constatado é que não só no comportamento as reações ao estresse são distintas. Estudando um grupo de 210 crianças de 2 anos, pesquisadores da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, notaram que comportamentos diferentes estão associados a níveis distintos de cortisol no sangue. Os pequenos voluntários foram divididos em dois grupos: as “pombas” (crianças cautelosas e dóceis) ou os “falcões” (atrevidas e assertivas). Enquanto as “pombas” apresentavam uma elevação abrupta na quantidade de cortisol circulando na corrente sanguínea quando expostas a situações estressantes, nos “falcões” a concentração desse hormônio permanecia praticamente inalterada. E isso trazia consequências diversas para os dois grupos: “pombas” demonstraram mais chances de desenvolver depressão e ansiedade. Já os “falcões” estavam mais suscetíveis a comportamentos de risco, hiperatividade e déficit de atenção. “É importante reconhecer essas diferenças para intervir”, disse à ISTOÉ Melissa Sturge-Apple, coautora da pesquisa.

http://www.istoe.com.br/reportagens/195990_ESTRESSE+INFANTIL?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

Conheça a geração Nini - Viver Bem - Comportamento - Gazeta do Povo

Conheça a geração Nini - Viver Bem - Comportamento - Gazeta do Povo

segunda-feira, 12 de março de 2012

Tablets invadem a sala de aula - Vida e Cidadania - Gazeta do Povo

A pergunta é: será que este instrumento substitui os cadernos? nos concursos futuros as crianças não precisarão mais escrever?
No cotidiano educacional nota-se que os alunos possuem uma grande dificuldade de concentração, muita dificuldade na coordenação fina, grafia, ortografia. Será que os tablets, a maioria com internet à disposição, não será mais um motivo de distração? Qual a sua opinião?

Tablets invadem a sala de aula - Vida e Cidadania - Gazeta do Povo

terça-feira, 6 de março de 2012

Crianças que roncam à noite podem ter problemas de comportamento

Estudo com mais de 11 mil delas mostra que ronco e apneia precedem hiperatividade e agressividade
Crianças que têm problemas como ronco e apneia durante o sono costumam desenvolver distúrbios de comportamento Fábio Guimarães
RIO - Um estudo com mais de 11 mil voluntários acompanhados por mais de seis anos descobriu que as mais crianças novas com problemas para respirar durante o sono são propensas a desenvolver dificuldades comportamentais, como hiperatividade e agressividade, assim como sintomas emocionais e dificuldade de relacionamento, de acordo com uma pesquisa feitas pelo Colégio de Medicina Albert Einstein, da Yeshiva University. O estudo, o maior e mais abrangente deste tipo, foi publicado on-line na última segunda-feira pela revista "Pediatrics".
- Esta é a evidência mais forte mostrada por dados de que roncar, respirar pela boca, e apneia (longas pausas anormais na respiração durante o sono) podem ter sérias consequências comportamentais e emocionais para crianças - disse a coordenadora do estudo, Karen Bonuck, Ph.D., professora de medicina da família e social e de obstetrícia e ginecologia e saúde das mulheres no Einstein. - Os pais e pediatras também devem prestar muita atenção a desordens na respiração durante o sono em crianças muito jovens, talvez até mesmo no primeiro ano de vida.
Problemas de respiração durante o sono (SDB, na sigla em inglês) é um termo geral para dificuldades respiratórias que ocorrem à noite. Suas principais características são o ronco (que é normalmente acompanhado por respiração pela boca) e apneia do sono. SBD costumam ocorrer com maior frequência em crianças de dois a seis anos de idade, mas também em crianças menores. Cerca de uma em cada dez crianças roncam regularmente e 2% a 4% delas têm apneia do sono, segundo a Academia Americana de Otorrinolaringologia e Cirurgia do Pescoço (AAO-HNS, na sigla em inglês). As causas mais comuns de SDB são aumento das amígdalas ou das adenoides.
- Até agora, nós realmente não temos fortes indícios de que SDB realmente são precedentes de comportamento problemático como hiperatividade - disse Ronald D. Chervin, coautor do estudo e professor de medicina do sono e de neurologia da Universidade de Michigan.
O novo estudo analisou os efeitos combinados dos padrões de ronco, apneia e respiração pela boca no comportamento de crianças. Os pais foram convidados a preencher questionários sobre os sintomas de SDB em seus filhos em vários momentos, entre os 6 e os 69 meses de idade.
Quando seus filhos tinham aproximadamente 4 e 7 anos de idade, os pais preencheram o Questionário de Força e Dificuldades (SDQ, na sigla em inglês), que é amplamente utilizado para avaliar comportamento. O SDQ tem escalas para avaliar a desatenção e a hiperatividade de uma criança, sintomas emocionais (ansiedade e depressão), problemas de relacionamento, problemas de conduta (agressividade e quebra de regras), e comportamento pró-social (prestatividade, capacidade de dividir, etc.) Os pesquisadores ficaram atentos a 15 potenciais variáveis ​​de confusão, incluindo nível socioeconômico, tabagismo materno durante o primeiro trimestre de gravidez e baixo peso ao nascer.
- Descobrimos que crianças com distúrbios respiratórios durante o sono eram entre 40% e 100% mais propensas a desenvolver problemas comportamentais por volta dos 7 anos de idade, em comparação com crianças sem problemas respiratórios - disse Bonuck. - A maior ocorrência era de hiperatividade, mas vimos aumento da incidência em todas as cinco medidas comportamentais.
Crianças cujos sintomas apareceram cedo, aos 6 e aos 18 meses, eram 40% e 50% mais propensas​​, respectivamente, a ter problemas comportamentais aos 7 anos de idade, em comparação com crianças com respiração normal. Crianças com os problemas comportamentais mais graves eram as com sintomas SDB, que persistiram durante todo o período de avaliação e se tornaram mais grave aos 30 meses.
Os pesquisadores acreditam que problemas de respiração durante o sono podem causar problemas comportamentais, afetando o cérebro de várias maneiras: diminuição dos níveis de oxigênio e aumento dos níveis de dióxido de carbono no córtex pré-frontal, interrompendo os processos restaurativos do sono e perturbando o equilíbrio dos diversos sistemas celulares e químicos. Problemas comportamentais decorrentes desses efeitos adversos sobre o cérebro incluem deficiências no funcionamento executivo (isto é, ser capaz de prestar atenção, planejar com antecedência, e organizar), a capacidade de suprimir o comportamento e a capacidade de autorregular a emoção e a excitação.
De acordo com o AAO-HNS, a cirurgia é o tratamento de primeira linha para SDB pediátrica grave nos casos em que as amígdalas e adenoides são ampliadas. Outra opção é a perda de peso para crianças com sobrepeso ou obesas.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/saude/criancas-que-roncam-noite-podem-ter-problemas-de-comportamento-4223958#ixzz1oMcAIeRM
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