Para as pessoas que queiram discutir a educação, principalmente a aprendizagem das crianças
terça-feira, 15 de maio de 2012
terça-feira, 8 de maio de 2012
A rotina que faz bem às crianças - Ensino - Gazeta do Povo
Tenho conversado com pais a respeito da rotina das crianças. Notamos, no cotidiano da escola, que muitas crianças apresentam dificuldade em aprender, em resolver os problemas mais simples. Uma das causas desta dificuldade é a falta de rotina e autonomia por parte dos alunos. Este hábito inicia em casa. Crianças sem nenhuma responsabilidade em casa, sem rotina, têm dificuldade em se organizar na sala de aula e, consequentemente, dificuldade na aprendizagem.
Vale a pena ler o artigo a seguir.
Lia
A rotina que faz bem às crianças
Há quem pense que horários definidos servem para colocar as crianças nos eixos, mas a sua utilidade vai além disso. O hábito é importante para o bom desenvolvimento dos jovens
Ensinar uma criança a ter autonomia, segurança e estabilidade e levar isso para a vida adulta não é tarefa fácil. A rotina mostra-se uma grande aliada de pais e educadores que têm esse objetivo. No entanto, enquanto as escolas costumam ter organizados os horários para todas as atividades, em casa, a organização de tempo costuma deixar muito a desejar.
Sem horário definido para acordar, para a alimentação, higiene ou lazer, é comum a criançada apresentar quadros com algum grau de ansiedade e insegurança. Isso acontece porque a infância é a fase da vida em que muitas transformações cena e a instabilidade já se apresenta internamente. “O mundo externo tem de ser organizado para que o potencial biológico da criança se desenvolva [bem]”, diz a pedagoga Sandra Dias Costa, professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e doutoranda em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Diálogo único
Alguns acontecimentos podem tumultuar a rotina das crianças. Cabe à família se organizar para evitar prejuízos aos pequenos:
Em casas separadas
Quando o pai vai para um lado e a mãe para o outro, muitas vezes a criança divide seu tempo entre os dois e, em alguns casos, ganha mais uma casa para morar. Mesmo que a relação entre os pais tenha acabado, ambos precisam definir a rotina da criança e colocar em prática o que foi combinado.
Breaks
As férias e os fins de semana costumam ser sinônimo de descanso, mais lazer e menos responsabilidades. Mas não é recomendável deixar as crianças totalmente livres. Ao menos uma rotina básica, com horários para alimentação e sono não muito diferentes do habitual, ajuda a evitar que a segunda-feira ou a volta às aulas seja um sofrimento.
Sem consenso
Os pais determinam alguns compromissos, porém o cuidador não cumpre, a tia burla e a avó contesta. Essas divergências familiares são comuns, mas atrapalham a educação e a rotina dos pequenos. “Para dar certo, todos têm de ser parceiros e falar a mesma língua”, diz a pedagoga Sandra Dias Costa.
É preciso afeto e flexibilidade
A palavra rotina não deve estar ligada à disciplina rígida e não pode ser estabelecida de forma severa. A pedagoga Sandra Dias Costa explica que a definição de horários e compromissos deve ser feita com afetividade e flexibilidade, de forma que a criança sempre se sinta em um ambiente organizado e possa entender que a rotina pode ser modificada. “Muitas crianças têm agendas cheias de atividades que nem sempre são desejadas. A família precisa conversar e se organizar. Todos devem falar a mesma língua, lembrando que o exemplo dos pais vale muito”, diz.
Para avaliar se a rotina está adequada à criança, alguns sinais podem ser observados. “O cansaço, o ritmo de sono e a alimentação e como a criança está respondendo a isso podem mostrar se ela está conseguindo se adaptar ou não. Às vezes, ela pode apresentar também problemas de retenção de fezes e dificuldades em usar o banheiro”, lembra a psicóloga Manuela Christ Lemos.
Competências
É preciso tentar manter o imprevisível dentro da previsibilidade. “As crianças chegam sem maturidade neurológica ou psicológica em um mundo social já construído. É a rotina que passa segurança e estabilidade e permite que meninos e meninas construam as próprias referências e desenvolvam autonomia”, diz Sandra. Além de questões do desenvolvimento cognitivo, uma rotina bem estabelecida também contribui para estimular competências sociais. Aí entram a pontualidade e a organização nos estudos ou no trabalho, por exemplo.
Para a psicóloga Manuela Christ Lemos, a rotina é essencial também para que a palavrinha mais falada nos últimos tempos relacionada à educação seja assimilada: limites. O hábito seria a base para estruturar os limites. Por meio da rotina, a criança aprende que não tem acesso a tudo o que quer, na hora que bem entende. “Assim ela vai aprendendo a vivenciar as frustrações e percebendo o que é realidade e possível e o que é fantasia ou desejo”, afirma a psicóloga, que é especialista em Terapia Cognitiva Comportamental.
Desde bem pequenos, Luanna e André, 11 e 9 anos, respectivamente, aprenderam com os pais que os compromissos não podem ser deixados para depois, como conta sua mãe, Sandra Mara Barbian, 44 anos. Enquanto André sofre para acordar cedo para as aulas de futebol, Luanna tem a semana dividida entre escola, natação, catequese e aulas de inglês. Mas há espaço para ajustes em alguns horários. “Eles reclamam quando estão cansados para estudar e pedem para continuar no dia seguinte. Às vezes paramos para relaxar e retomamos depois. Mas eles estão bem cientes de que não têm outro caminho: é preciso estudar”, diz.
Gazeta do povo 08/05/2012
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Noites mal dormidas alteram metabolismo e causam doenças - Saúde - Gazeta do Povo
Noites mal dormidas alteram metabolismo e causam doenças - Saúde - Gazeta do Povo
É importante este texto, pois muitas crianças que apresentam problemas de sono, têm apresentado alterações na aprendizagem.
É importante este texto, pois muitas crianças que apresentam problemas de sono, têm apresentado alterações na aprendizagem.
quarta-feira, 18 de abril de 2012
sábado, 7 de abril de 2012
O caminho ao aprendizado é árduo; difícil; necessita de pré-disposição... Mas quando alcança o aprendizado... Sensação maravilhosa...
Estudar pode ser chato, aprender, não
Por Paulo Barreira Milet | Eschola.com – 11/03/2012 23:33:00
Aprender é um momento mágico que acontece quando a informação vira conhecimento. Isso é uma transformação que ocorre dentro do cérebro humano. É um click! Aquelas palavras encadeadas que procuravam dar um sentido a um conjunto de informações, de repente, click! Viraram conhecimento. Esse momento mágico é que devia ser o objetivo de qualquer escola. Ensinar a aprender. Ensinar a transformar informação em conhecimento e conhecimento em ação, que é o próximo passo.
Qual o objetivo do ensino regular? Preparar a pessoa a viver em sociedade, com um conjunto de conhecimentos que permita a ela se inserir nesse ambiente, se relacionar, produzir, consumir, enfim, viver!
Várias são as funções básicas para que isso seja possível. Uma delas é a comunicação, o uso da linguagem para exprimir idéias e sentimentos e compreende-los. Outra é a matemática. A correlação quantitativa das coisas e eventos. Outra mais , a história. O relato dos o quês e por quês que trouxeram o mundo em geral e o nosso país em particular até aqui. Outra, as Ciências, tratando da natureza, do ser humano e das suas interrelações nos níveis químicos, físicos e biológicos. E o nosso ambiente? A Geografia, a ecologia, e as relações sociais.
Esse entendimento, que deveria ser primário, talvez não seja reconhecido pelos alunos como o objetivo do aprendizado. Talvez para eles o mais correto seria dizer: eu estudo para passar, ou estudo para me formar, ou estudo para ter um emprego e ganhar dinheiro.
A finalidade básica do aprendizado foi esquecida e mais do que isso foi deturpada. O estudo virou uma obrigação desagradável, como também o trabalho. Não precisa ser assim. Tanto um (estudo) quanto outro (o trabalho) devem ser atividades prazeirosas. O aprender nunca é chato. Estudar, sim, pode ser.
Imaginem um indiozinho há 500 anos. Quando ele saia com o pai, para aprender a caçar ou pescar, o que era isso? Uma atividade lúdica onde a finalidade era bem clara e que , assim que concretizada, habilitaria o jovem índio para o futuro.
Essa correlação se perdeu atualmente em função da variedade e complexidade das informações e conhecimentos que temos disponíveis para nós e que precisam ser usadas para produzirem informações, ações e conhecimentos que poderemos usar e vender para o nosso sustento.
Alunos, pais e professores, devem descobrir a forma de fazer com que nossos jovens sintam como o jovem índio, que aquele aprendizado tem valor e além disso, é gostoso.
Essa deve ser a nossa busca.
Nossos jovens que estão hoje na faixa do vestibular, em torno dos 18 anos, trabalharão cerca de 50 anos até a aposentadoria, se até lá ainda existir essa figura. Nesses 50 anos, em média trocarão de profissão pelo menos meia dúzia de vezes. Serão técnicos do assunto A, depois gerentes, depois o assunto A vai virar B, a tecnologia criará C que derivará em D e assim sucessivamente.
O aprendizado na faculdade estará tão datado quanto um litro de leite no mercado. Teremos prazo de validade para o nosso conhecimento, que estragará se não for consumido a tempo, ou reciclado.
Temos a oportunidade agora com a Internet. As informações estão lá. Nunca antes pudemos estabelecer uma correlação tão forte quanto agora, entre o que podemos aprender e como podemos aplicar em nossa vida. Muitas das profissões hoje em dia (e cada vez mais) são substancialmente baseadas em informações e o seu tratamento. São o mundo dos bits (jornalismo, direito, tradução, pesquisas, economia, administração..). Essas profissões serão quase que totalmente exercidas via Internet. Nas outras, que tratam do mundo físico (medicina, engenharia...) o componente informação será cada vez maior.
Precisamos aprender sobre processos e projetos independente de “para que”. Precisamos aprender sobre clientes e fornecedores independentes de quais. A metodologia e a tecnologia empregada vai ser a do momento. Não podemos nos apegar a nossa profissão original porque não sobreviveremos. Vamos procurar sempre o porque das coisas e saber que o “o que “ e o “como” são circunstancias.
Vamos aprender sobre pessoas, relacionamentos e comunicação. Entender o que motiva e o que afasta. Entender que apenas duas emoções movem a humanidade. O amor (prazer, satisfação, felicidade) que faz com que procuremos nos aproximar e o medo (dor, raiva) que faz com que procuremos nos afastar.
Aprender o que é natural e o que é cultural. Os dois são importantes. Comer é natural. Comer com talher é cultural. Necessidades fisiológicas são naturais. Usar o banheiro é cultural. Sexo é natural. Com camisinha é cultural. Entender que o cultural é vinculado ao tempo em que a ação se situa. O conceito de certo e errado e bem e mal é cultural e depende do que a sociedade combinou por meio de constituição, leis, portarias, regulamentos, códigos, acordos etc.
Quando será que nossos jovens vão aprender dessa maneira?
Matéria retirada do site: http://br.educacao.yahoo.net/conteudo.aspx?titulo=Estudar+pode+ser+chato%2c+aprender%2c+n%C3%A3o
terça-feira, 27 de março de 2012
O cinema em sala de aula
Os filmes podem funcionar como recursos educativosTrabalhar com filmes em sala de aula para levantar temas de debates a partir das obras é uma maneira interessante de complementar os conteúdos pedagógicos, usada por muitos professores, desde a educação infantil até a graduação. Mas para alcançar bons resultados é necessário planejar essas aulas com antecedência, definir os temas que serão abordados, tornando as aulas realmente produtivas, além de dinâmicas e atrativas para os estudantes.
Segundo a psicóloga do Colégio Sion, Maria Cristina Montingelli, os filmes são uma ótima opção a ser usada em sala de aula, uma vez que a linguagem audiovisual é a linguagem dessa nova geração, além do que, aliar o quesito prazer ao ato de aprender é muito importante no processo educativo e faz com que o aluno fixe melhor o conhecimento. Contudo alguns cuidados devem ser tomados no momento de escolher as obras.
Assistir ao filme todo, antes de exibi-lo, é indispensável, pois o professor deve adequar a obra à faixa etária da turma. “Para crianças menores, com idade entre 5 e 10 anos, o ideal é exibir um trecho da obra, apenas para ilustrar o conteúdo, pois nessa idade eles costumam assistir ao mesmo filme diversas vezes e, com certeza, a obra apresentada em sala já foi vista pelos pequenos. Assim, a aula não corre o risco de ser repetitiva, despertando o interesse da criança”, aconselha Maria Cristina. Já para os alunos mais velhos, a partir dos 10 anos, os filmes podem ser exibidos na íntegra, mas devem estar sempre aliados a algum projeto: compreensão do contexto histórico, temática da obra, diálogos interessantes, linguagem, entre outros.
No Instituto Superior de Educação Nossa Senhora de Sion (ISE-SION), os debates promovidos com base em produções cinematográficas ultrapassaram as salas de aula e transformaram-se em um evento: O Clico de Cinema e Educação: interfaces com a literatura e a história. O ciclo é realizado uma vez por mês na sede do ISE e traz sempre um palestrante convidado, que escolhe um filme interessante para levantar temáticas relacionadas à educação.
Na sexta-feira, dia 30 de março, será realizada a terceira edição do Ciclo de Cinema e Educação. Para este primeiro semestre o tema é “A criança e o cinema” e os filmes terão como enredo situações que envolvam a criança em diferentes processos educativos. E o primeiro ciclo de 2012 contará com a presença da doutora Milena Martins, do departamento de Linguística, Letras Clássicas e Vernáculas da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Ela irá debater com os participantes o universo da criança a partir do filme ‘Nascidos em Bordéis’, sob o tema ‘Literatura para quê?’.De acordo com a organizadora do evento, Gisele Thiel, o objetivo é ampliar o conhecimento dos alunos e demais participantes sobre educação, literatura e história, a partir de obras do cinema. “Geralmente o palestrante apresenta o filme e levanta temáticas específicas, relacionadas à educação, para debate.
O filme entra como um elemento para se discutir educação”, explica a professora e organizadora do ciclo.O evento já acontece há três anos. Em edições anteriores foram apresentados filmes como o argentino Valentin, 2002, de Alejandro Agresti, para debater o lirismo e o imaginário infantil e o brasileiro Verônica, 2009, de Maurício Farias, no qual o eixo central de discussão foi a violência na educação e o real papel dos professores fora do ambiente escolar. Serviço:III Ciclo de Cinema e Educação: interfaces com a literatura e históriaPalestrante: doutora Milena Martins – UFPRFilme: “Nascidos em bordéis” – 2004, Zana BriskiData: 30/03/2012Local: Instituto de Educação Nossa Senhora de Sion, Alameda Presidente Taunay, 260 – BatelInformações: (41) 3016-0818Inscrições: As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no dia do evento.
Segundo a psicóloga do Colégio Sion, Maria Cristina Montingelli, os filmes são uma ótima opção a ser usada em sala de aula, uma vez que a linguagem audiovisual é a linguagem dessa nova geração, além do que, aliar o quesito prazer ao ato de aprender é muito importante no processo educativo e faz com que o aluno fixe melhor o conhecimento. Contudo alguns cuidados devem ser tomados no momento de escolher as obras.
Assistir ao filme todo, antes de exibi-lo, é indispensável, pois o professor deve adequar a obra à faixa etária da turma. “Para crianças menores, com idade entre 5 e 10 anos, o ideal é exibir um trecho da obra, apenas para ilustrar o conteúdo, pois nessa idade eles costumam assistir ao mesmo filme diversas vezes e, com certeza, a obra apresentada em sala já foi vista pelos pequenos. Assim, a aula não corre o risco de ser repetitiva, despertando o interesse da criança”, aconselha Maria Cristina. Já para os alunos mais velhos, a partir dos 10 anos, os filmes podem ser exibidos na íntegra, mas devem estar sempre aliados a algum projeto: compreensão do contexto histórico, temática da obra, diálogos interessantes, linguagem, entre outros.
Ciclo de Cinema e Educação
No Instituto Superior de Educação Nossa Senhora de Sion (ISE-SION), os debates promovidos com base em produções cinematográficas ultrapassaram as salas de aula e transformaram-se em um evento: O Clico de Cinema e Educação: interfaces com a literatura e a história. O ciclo é realizado uma vez por mês na sede do ISE e traz sempre um palestrante convidado, que escolhe um filme interessante para levantar temáticas relacionadas à educação.
Na sexta-feira, dia 30 de março, será realizada a terceira edição do Ciclo de Cinema e Educação. Para este primeiro semestre o tema é “A criança e o cinema” e os filmes terão como enredo situações que envolvam a criança em diferentes processos educativos. E o primeiro ciclo de 2012 contará com a presença da doutora Milena Martins, do departamento de Linguística, Letras Clássicas e Vernáculas da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Ela irá debater com os participantes o universo da criança a partir do filme ‘Nascidos em Bordéis’, sob o tema ‘Literatura para quê?’.De acordo com a organizadora do evento, Gisele Thiel, o objetivo é ampliar o conhecimento dos alunos e demais participantes sobre educação, literatura e história, a partir de obras do cinema. “Geralmente o palestrante apresenta o filme e levanta temáticas específicas, relacionadas à educação, para debate.
O filme entra como um elemento para se discutir educação”, explica a professora e organizadora do ciclo.O evento já acontece há três anos. Em edições anteriores foram apresentados filmes como o argentino Valentin, 2002, de Alejandro Agresti, para debater o lirismo e o imaginário infantil e o brasileiro Verônica, 2009, de Maurício Farias, no qual o eixo central de discussão foi a violência na educação e o real papel dos professores fora do ambiente escolar. Serviço:III Ciclo de Cinema e Educação: interfaces com a literatura e históriaPalestrante: doutora Milena Martins – UFPRFilme: “Nascidos em bordéis” – 2004, Zana BriskiData: 30/03/2012Local: Instituto de Educação Nossa Senhora de Sion, Alameda Presidente Taunay, 260 – BatelInformações: (41) 3016-0818Inscrições: As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no dia do evento.
domingo, 25 de março de 2012
Estresse infantil Agenda cheia, reprovação dos pais, conflitos na escola. Pesquisas na área de neurociência e comportamento mostram como a exposição a fatores estressantes compromete o desenvolvimento das crianças e o que fazer para evitar danos futuros
Natação, inglês, equitação, tênis, futebol. É cada vez mais comum encontrar crianças que mal saíram da pré-escola e já cumprem agendas de “miniexecutivo”, com compromissos que se estendem ao longo do dia. A intenção dos pais ao submeter os filhos a essas rotinas é torná-los adultos superpreparados para o competitivo mundo moderno. O preço que se paga por tanto esforço, porém, pode ser alto. Ainda pequenas, essas crianças passam a apresentar um problema de gente grande, o estresse. “É uma troca que não vale a pena”, afirma o psicoterapeuta João Figueiró, um dos fundadores do Instituto Zero a Seis, instituição especializada na atenção à primeira infância. “Frequentemente essa rotina impõe à criança um sentimento de incompetência, pois lhe são atribuídas tarefas para as quais ela não está neurologicamente capacitada.” Como uma bomba-relógio prestes a explodir, o estresse infantil tem ganhado status de problema de saúde pública. Nos Estados Unidos, por exemplo, a Academia Americana de Pediatria publicou, em dezembro, novas diretrizes para ajudar os médicos a identificar e tratar esse mal. O risco dessa exposição, alertam os cientistas, são danos que vão bem além da infância, como a propensão a doenças coronarianas, diabetes, uso de drogas e depressão.
Dos poucos estudos brasileiros sobre estresse infantil, se destaca um levantamento realizado pela pesquisadora Ana Maria Rossi, presidente da International Stress Management Association no Brasil (Isma-BR). A pesquisa, feita com 220 crianças entre 7 e 12 anos nas cidades de Porto Alegre e São Paulo, revelou que oito a cada dez casos em que os pais buscam ajuda profissional para seus filhos por causa de alterações de comportamento têm sua origem no estresse. “O estresse é uma reação natural do nosso corpo, o problema é esse estímulo atingir níveis muitos altos ou se prolongar por longos períodos”, diz Ana Maria.
Para ajudar pais e profissionais de saúde a identificar quando há risco, cientistas do Centro de Desenvolvimento da Criança da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, propuseram uma divisão: o estresse positivo, aquele em que há pouca elevação dos hormônios e por pouco tempo; o tolerável, caracterizado pela reação temporária e que pode ser contornada quando a criança recebe ajuda; e o tóxico, o que deve ser combatido, ligado à estimulação prolongada do organismo, sem que a criança tenha alguém que a ajude a lidar com a situação. “A origem pode estar em episódios corriqueiros que gerem frustração ou aflição frequentemente, como brigas na escola ou com familiares, ou em situações únicas, mas com impacto muito grande, como a morte inesperada de alguém próximo, abuso sexual ou acidente”, esclarece Christian Kristensen, coordenador do programa de pós-graduação em psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Quando exposto a quantidades muito grandes dos hormônios do estresse, o organismo sofre uma espécie de intoxicação. Cai a imunidade, deixando a pessoa mais exposta a infecções, há uma interferência nos hormônios do crescimento e até mesmo o amadurecimento de partes essenciais do cérebro, como o córtex pré-frontal, é afetado. “Essa região é responsável pelo controle das funções cognitivas, como a capacidade de moderar a impulsividade e a tomada de decisões”, explica o neurocientista Antônio Pereira, do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
Mas o que tem tirado as crianças do eixo tão prematuramente? No estudo realizado pelo Isma-BR, em primeiro lugar aparecem a crítica e a desaprovação dos pais, seguidas pelo excesso de atividades, o bullying e os conflitos familiares. Esse último fator mereceu atenção especial em uma pesquisa realizada na Universidade de Rochester, nos Estados Unidos. E o resultado comprovou uma suspeita antiga. “Em nosso estudo demonstramos que o ambiente estressante está associado à ocorrência mais frequente de doenças nas crianças”, disse à ISTOÉ a pediatra Mary Caserta, coordenadora do trabalho, que envolveu 169 crianças entre 5 e 10 anos. Muitas vezes, os pais nem desconfiam que a enfermidade do filho pode ter raízes no estresse. “Passa tão batido que às vezes a criança é medicada de modo errado”, diz Marilda Lipp, diretora do Centro Psicológico de Controle do Stress e professora da PUC-Campinas. Encontrar reações físicas intensas, mas sem nenhuma doença de fundo não é mais novidade para os médicos. “Cefaleias e dores abdominais causadas por estresse são as queixas mais comuns”, diz Ricardo Halpern, presidente do departamento de comportamento e desenvolvimento da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Outro perfil que se tornou comum nos consultórios é o da criança estressada pela superproteção dos pais. São os “reizinhos mandões”, como apelidou a psicopedagoga Edith Rubinstein. “Esses meninos e meninas têm muita voz dentro de casa e dificuldade de lidar com o esforço”, diz a especialista. Não deixar a criança aprender a contornar situações difíceis é extremamente prejudicial. Isso porque uma característica importante para evitar os quadros de estresse tóxico é justamente a resiliência – a capacidade de a pessoa se adaptar e sair de situações adversas. “Quando a criança é sempre tirada pelos pais do apuro, ela não desenvolve essa habilidade e se torna mais suscetível ao estresse”, diz a psicanalista infantil Ana Olmos.
Com a evolução científica, o que se tem constatado é que não só no comportamento as reações ao estresse são distintas. Estudando um grupo de 210 crianças de 2 anos, pesquisadores da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, notaram que comportamentos diferentes estão associados a níveis distintos de cortisol no sangue. Os pequenos voluntários foram divididos em dois grupos: as “pombas” (crianças cautelosas e dóceis) ou os “falcões” (atrevidas e assertivas). Enquanto as “pombas” apresentavam uma elevação abrupta na quantidade de cortisol circulando na corrente sanguínea quando expostas a situações estressantes, nos “falcões” a concentração desse hormônio permanecia praticamente inalterada. E isso trazia consequências diversas para os dois grupos: “pombas” demonstraram mais chances de desenvolver depressão e ansiedade. Já os “falcões” estavam mais suscetíveis a comportamentos de risco, hiperatividade e déficit de atenção. “É importante reconhecer essas diferenças para intervir”, disse à ISTOÉ Melissa Sturge-Apple, coautora da pesquisa.
http://www.istoe.com.br/reportagens/195990_ESTRESSE+INFANTIL?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage
Dos poucos estudos brasileiros sobre estresse infantil, se destaca um levantamento realizado pela pesquisadora Ana Maria Rossi, presidente da International Stress Management Association no Brasil (Isma-BR). A pesquisa, feita com 220 crianças entre 7 e 12 anos nas cidades de Porto Alegre e São Paulo, revelou que oito a cada dez casos em que os pais buscam ajuda profissional para seus filhos por causa de alterações de comportamento têm sua origem no estresse. “O estresse é uma reação natural do nosso corpo, o problema é esse estímulo atingir níveis muitos altos ou se prolongar por longos períodos”, diz Ana Maria.
Para ajudar pais e profissionais de saúde a identificar quando há risco, cientistas do Centro de Desenvolvimento da Criança da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, propuseram uma divisão: o estresse positivo, aquele em que há pouca elevação dos hormônios e por pouco tempo; o tolerável, caracterizado pela reação temporária e que pode ser contornada quando a criança recebe ajuda; e o tóxico, o que deve ser combatido, ligado à estimulação prolongada do organismo, sem que a criança tenha alguém que a ajude a lidar com a situação. “A origem pode estar em episódios corriqueiros que gerem frustração ou aflição frequentemente, como brigas na escola ou com familiares, ou em situações únicas, mas com impacto muito grande, como a morte inesperada de alguém próximo, abuso sexual ou acidente”, esclarece Christian Kristensen, coordenador do programa de pós-graduação em psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Quando exposto a quantidades muito grandes dos hormônios do estresse, o organismo sofre uma espécie de intoxicação. Cai a imunidade, deixando a pessoa mais exposta a infecções, há uma interferência nos hormônios do crescimento e até mesmo o amadurecimento de partes essenciais do cérebro, como o córtex pré-frontal, é afetado. “Essa região é responsável pelo controle das funções cognitivas, como a capacidade de moderar a impulsividade e a tomada de decisões”, explica o neurocientista Antônio Pereira, do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
Mas o que tem tirado as crianças do eixo tão prematuramente? No estudo realizado pelo Isma-BR, em primeiro lugar aparecem a crítica e a desaprovação dos pais, seguidas pelo excesso de atividades, o bullying e os conflitos familiares. Esse último fator mereceu atenção especial em uma pesquisa realizada na Universidade de Rochester, nos Estados Unidos. E o resultado comprovou uma suspeita antiga. “Em nosso estudo demonstramos que o ambiente estressante está associado à ocorrência mais frequente de doenças nas crianças”, disse à ISTOÉ a pediatra Mary Caserta, coordenadora do trabalho, que envolveu 169 crianças entre 5 e 10 anos. Muitas vezes, os pais nem desconfiam que a enfermidade do filho pode ter raízes no estresse. “Passa tão batido que às vezes a criança é medicada de modo errado”, diz Marilda Lipp, diretora do Centro Psicológico de Controle do Stress e professora da PUC-Campinas. Encontrar reações físicas intensas, mas sem nenhuma doença de fundo não é mais novidade para os médicos. “Cefaleias e dores abdominais causadas por estresse são as queixas mais comuns”, diz Ricardo Halpern, presidente do departamento de comportamento e desenvolvimento da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Outro perfil que se tornou comum nos consultórios é o da criança estressada pela superproteção dos pais. São os “reizinhos mandões”, como apelidou a psicopedagoga Edith Rubinstein. “Esses meninos e meninas têm muita voz dentro de casa e dificuldade de lidar com o esforço”, diz a especialista. Não deixar a criança aprender a contornar situações difíceis é extremamente prejudicial. Isso porque uma característica importante para evitar os quadros de estresse tóxico é justamente a resiliência – a capacidade de a pessoa se adaptar e sair de situações adversas. “Quando a criança é sempre tirada pelos pais do apuro, ela não desenvolve essa habilidade e se torna mais suscetível ao estresse”, diz a psicanalista infantil Ana Olmos.
Com a evolução científica, o que se tem constatado é que não só no comportamento as reações ao estresse são distintas. Estudando um grupo de 210 crianças de 2 anos, pesquisadores da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, notaram que comportamentos diferentes estão associados a níveis distintos de cortisol no sangue. Os pequenos voluntários foram divididos em dois grupos: as “pombas” (crianças cautelosas e dóceis) ou os “falcões” (atrevidas e assertivas). Enquanto as “pombas” apresentavam uma elevação abrupta na quantidade de cortisol circulando na corrente sanguínea quando expostas a situações estressantes, nos “falcões” a concentração desse hormônio permanecia praticamente inalterada. E isso trazia consequências diversas para os dois grupos: “pombas” demonstraram mais chances de desenvolver depressão e ansiedade. Já os “falcões” estavam mais suscetíveis a comportamentos de risco, hiperatividade e déficit de atenção. “É importante reconhecer essas diferenças para intervir”, disse à ISTOÉ Melissa Sturge-Apple, coautora da pesquisa.
http://www.istoe.com.br/reportagens/195990_ESTRESSE+INFANTIL?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage
Assinar:
Postagens (Atom)